Uma ação rápida e integrada da Polícia Militar, com o apoio decisivo de um policial penal, impediu um sofisticado esquema de apoio logístico destinado à entrada de telefones celulares e outros materiais ilícitos na Penitenciária de Muriaé.
Uma mulher foi presa em flagrante, enquanto um homem conseguiu fugir e é procurado pelas forças de segurança.
A ocorrência teve início após uma denúncia ao 190 sobre uma movimentação suspeita no bairro Barra.
Um policial penal, que estava de folga em sua residência, percebeu um casal manipulando a parte inferior de um caminhão estacionado na via pública.
Diante da suspeita, ele realizou a abordagem imediata. O homem conseguiu fugir correndo, mas a mulher foi contida até a chegada das equipes da Polícia Militar.
Durante a vistoria no veículo, os militares encontraram diversos aparelhos celulares e carregadores escondidos sob a carroceria, presos ao chassi por meio de ímãs, em uma tentativa de burlar os procedimentos de fiscalização.
Diligências levam à apreensão de mais materiais
Na abordagem, os policiais localizaram com a suspeita a chave de um hotel. Após levantamentos, a equipe identificou o estabelecimento na região central da cidade.
Com autorização formal da mulher, registrada em vídeo, os militares realizaram buscas no quarto ocupado pelo casal, na presença de uma testemunha.
No local, foram apreendidos uma barra de maconha, aparelhos celulares, carregadores e fitas adesivas utilizadas para acondicionar os materiais.
As investigações apontaram que o casal estava hospedado em Muriaé desde o dia 30 de junho.
Esquema utilizava caminhão com acesso à penitenciária
As diligências revelaram que o caminhão pertence a uma empresa parceira da unidade prisional, responsável pela fabricação de aventais e que possui acesso rotineiro às dependências da penitenciária.
Segundo a Polícia Militar, o plano consistia em esconder os equipamentos eletrônicos no chassi do veículo para que passassem despercebidos pela fiscalização na entrada da unidade.
Posteriormente, os materiais seriam retirados por detentos durante as atividades de descarga.
O homem que fugiu foi identificado pelo serviço de inteligência da PMMG e, conforme as investigações, possui ligações com organizações criminosas.
Caso pode ser enquadrado na nova Lei Antifacção
A Penitenciária Manoel Lisboa Júnior é uma das seis unidades de segurança máxima de Minas Gerais destinadas exclusivamente à custódia de lideranças e integrantes de organizações criminosas de alta periculosidade.
De acordo com a Polícia Militar, devido à complexidade do esquema e ao objetivo de fornecer suporte logístico a integrantes dessas organizações, a ocorrência ultrapassa o crime comum de ingresso de aparelhos celulares em estabelecimento prisional.
O caso foi encaminhado à Polícia Civil e poderá ser enquadrado, em tese, no artigo 3º da nova Lei Antifacção de 2026, que prevê punição específica para quem promove, subsidia ou presta apoio logístico ou financeiro a facções criminosas estruturadas.
Todo o material apreendido foi encaminhado à Delegacia de Polícia Civil, que dará continuidade às investigações para identificar outros possíveis envolvidos na ação criminosa.