Gazeta de Muriaé
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Em 05/03/2026 às 10h48

No Mês da Mulher, jovem transforma tratamento contra o câncer em ato de resistência

No mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, uma história que nasce em Muriaé ganha força para além do diagnóstico. Aos 27 anos, a influenciadora digital Roberta Rocha tem usado o próprio tratamento contra o câncer de mama como ponto de partida para falar sobre identidade, autoestima e a força de ser mulher, mesmo quando o corpo muda.

Natural da cidade, Roberta descobriu a doença em agosto de 2025, aos 26 anos. O nódulo foi percebido durante seu processo de emagrecimento, foi justamente quando começou a perder peso que notou algo diferente na mama. Após o autoexame e diagnóstico, procurou atendimento e iniciou o acompanhamento no Hospital do Câncer de Muriaé, da Fundação Cristiano Varella.

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Na época, conciliava faculdade e trabalho. Com o início do tratamento, precisou pausar a rotina profissional e acadêmica, mas isso não significa que parou de viver.

A corrida, que começou como parte do processo de emagrecimento, se manteve como prática durante a quimioterapia. Em alguns dias de tratamento, Roberta organizava pequenos percursos com amigas até o hospital. Corria até a instituição e, ao chegar, iniciava a sessão de quimioterapia. A imagem da jovem que atravessa a cidade de tênis e roupa esportiva antes de sentar na poltrona da quimio rompe a narrativa comum associada ao tratamento oncológico. Para ela, manter o corpo em movimento era uma forma de preservar a própria identidade.

"Eu vou tentando reconstruir isso o tempo todo para não perder a minha essência, porque senão não sobra nada, só um corpo cansado. Talvez isso seja um traço muito nosso, de mulher: essa tentativa constante de manter quem a gente é. Não digo que a gente sempre consegue, mas a gente continua tentando. Por isso eu pratico exercício, viajo, faço o que eu gosto, continuo criando planos, ocupando a mente. Meu rendimento não é o mesmo em todas as áreas, mas eu continuo."

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Foi nas redes sociais que Roberta encontrou um novo espaço de atuação. Pelo Instagram, ela compartilha sua rotina de tratamento, reflexões sobre autoestima, prática esportiva e os desafios de atravessar essa fase aos 27 anos. O perfil pode ser acessado em: >https://www.instagram.com/robetarocha/

"Se eu pudesse dizer algo para as mulheres que estão passando por isso, eu diria que o diagnóstico não define quem a gente se torna. A gente é mais forte do que imagina. Durante o tratamento, a gente precisa tentar manter nossa essência para não esquecer que viver, em qualquer fase, é o que importa. Mas isso não significa que ela est está no cabelo, ou em uma pele sem manchas ou num rosto sem olheiras. Autoestima é importante, mas a essência não está nos acessórios, ela é como a gente se sente por dentro."

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Aos 27 anos, Roberta faz parte de uma geração que naturaliza o compartilhamento da própria trajetória, inclusive nos momentos de vulnerabilidade. Ao expor sua experiência, ela amplia o debate sobre câncer de mama em mulheres jovens, tema que ainda carrega desinformação e estigmas, e propõe uma discussão mais ampla sobre identidade feminina, corpo e permanência.

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No Hospital do Câncer de Muriaé, ela segue em tratamento e fora dele, segue correndo, planejando, produzindo conteúdo e reaprendendo o próprio ritmo.

No mês da mulher, sua história dialoga com um ponto sensível: o corpo pode mudar, a rotina pode desacelerar, mas a identidade não precisa ser interrompida.

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