Gazeta de Muriaé
  • Facebook
  • Instagram
  • Twitter

Em 21/12/2025 às 21h47

‘Golpe do Tinder’: Quatro são condenados por morte de médico muriaeense em São Paulo

Quatro homens foram condenados pela morte do médico muriaeense Heleno Veggi Dumba, de 35 anos, em São Paulo, no dia 29 de março de 2024. Os réus faziam parte de um grupo que aplicava o chamado 'Golpe do Tinder' e criava perfis falsos em aplicativos de relacionamento para atrair vítimas e cometer assaltos violentos.

A decisão foi publicada na última segunda-feira (15) e condenou Gabriel Evangelista Acácio, Victor Henrique Santos de Oliveira, Miguel Mendes das Neves e Bruno Francisco Xavier por organização criminosa armada e latrocínio, que é roubo seguido de morte.

Eles seguem presos desde o crime em São Paulo e não podem recorrer em liberdade. 

Em nota, o advogado da família e amigo pessoal do médico, Wanderley Montanholi, afirmou que "a Justiça é um marco que estabelece limites, não apenas punição. Buscamos responsabilização com ressocialização, proteção e transformação, enfrentando a violência com consciência e educação. Queremos que Heleno seja lembrado por sua vida e humanidade, não pelo desfecho trágico".

Confira a sentença de cada acusado:
A sentença em primeira instância foi do juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, no Fórum Central Criminal da Barra Funda, em São Paulo.
 
Gabriel Evangelista Acácio
Participou diretamente da abordagem à vítima, estava armado e atirou no médico.
Organização criminosa: 5 anos e 3 meses de prisão
Latrocínio: 26 anos e 8 meses de prisão
Total: 31 anos e 11 meses, em regime inicial fechado

Victor Henrique Santos de Oliveira
Responsável pelo contato com as vítimas por meio de aplicativos de relacionamento. Criava perfis falsos para ganhar confiança e marcar encontros que serviam de emboscada.
Organização criminosa: 8 anos de prisão
Latrocínio: 40 anos de prisão
Total: 48 anos, em regime inicial fechado

Miguel Mendes das Neves
Criava perfis falsos em redes sociais e aplicativos de relacionamento para contatar as vítimas e viabilizar os crimes.
Organização criminosa: 7 anos de prisão
Latrocínio: 35 anos, 6 meses e 20 dias de prisão
Total: 42 anos, 6 meses e 20 dias, em regime inicial fechado

Bruno Francisco Xavier
Dava apoio logístico ao grupo, com transporte dos integrantes até o local do crime e ajuda na fuga.
Organização criminosa: 5 anos e 3 meses de prisão
Latrocínio: 26 anos e 8 meses de prisão
Total: 31 anos e 11 meses, em regime inicial fechado

A decisão cabe recurso.

Outros envolvidos
Matheus Cesar Alves Silva e Johnatan Henrique dos Santos Martins também foram apontados nas investigações como participantes da abordagem e do uso de armas. O processo contra eles foi desmembrado, e as condutas serão analisadas em ações separadas. As condenações desses réus não fazem parte desta sentença.

Grupo explorava vulnerabilidade das vítimas:

Conforme a investigação, os criminosos escolhiam locais estratégicos e evitavam áreas com câmeras de monitoramento. O objetivo era obter vantagem econômica.
As vítimas eram obrigadas a fornecer senhas de celulares e a realizar transferências via PIX, muitas vezes sob ameaça e em situação de cárcere temporário.

Ainda de acordo com o processo, o grupo explorava a vulnerabilidade delas. Muitas não denunciavam os crimes por serem casadas ou por não quererem expor a orientação sexual, o que facilitava a continuidade das ações criminosas.

Como as tarefas do crime eram divididas:

Criação de perfis falsos: um dos integrantes criava contas em aplicativos de relacionamento para atrair as vítimas.

Contato com as vítimas: outro integrante fazia a comunicação, conquistava a confiança e marcava os encontros.
Abordagem armada: no local combinado, parte do grupo surpreendia as vítimas e cometia os assaltos.

Logística e armas: um dos envolvidos cuidava do transporte dos integrantes e da guarda das armas usadas nos crimes.

Relembre o caso:

O psiquiatra, de 35 anos, morreu na noite de 29 de março de 2024, após ser baleado na cabeça no Bairro Jardim Elisa Maria, na Zona Norte de São Paulo.

Na época, moradores do bairro relataram à polícia que viram três homens assaltar o médico Heleno Veggi Dumbá, que estava dentro de um carro, por volta das 21h40.

Em seguida, testemunhas disseram ter ouvido disparos. Após o crime, os suspeitos fugiram a pé em direção a uma praça onde acontecia uma festa. Na época, o delegado responsável pela investigação, César Bastos Queiroz, afirmou que o local era usado para atrair vítimas desse tipo de crime.

"Aqui é uma região bastante utilizada pelos criminosos para atrair vítimas sob o pretexto de encontros marcados por aplicativos de relacionamento. Acredito que a principal linha de investigação neste momento preliminar segue nesse sentido", afirmou o delegado.


Gazeta de Muriaé
HPMAIS